O Dr. Carlos Martínez Ruiz possui graduação em Ciências Biológicas - Universidade de Barcelona (1989) e doutorado em Ciências Biológicas: Biologia Animal I (Zoologia) - Universidade de Barcelona (1998). Atualmente é professor adjunto no Departamento de Biologia da Universidade Federal do Maranhão. Tem experiência nas áreas de Ecologia e Zoologia, com ênfase em Ecologia de Aves. O PET/BIO entrevistou o professor Carlos Martínez a fim de que ele pudesse esclarecer alguns questionamentos sobre a problemática do lixo. Além disso, o PET/BIO entrevistou a graduanda do segundo período do nosso curso, Fabíola Sousa, a fim de que a mesma fale sobre a iniciativa tomada por um grupo de alunos de sua turma em prol da conservação do meio ambiente.
PET - No senso comum, várias pessoas intitulam muitas coisas de “lixo”, independente de serem ou não. Em sua opinião, o que podemos chamar de lixo?
Carlos Martínez - Normalmente nos referimos a lixo como resíduos sólidos. Podemos diferenciar os resíduos pelo estado físico em sólidos, líquidos e gasosos. Quando falamos em resíduos líquidos ou gasosos, geralmente os chamamos de poluição. Existem resíduos, dejetos, ou seja, restos de
materiais que utilizamos e descartamos pelo fato de não querermos mais ou por ter sofrido alguma transformação química durante algum processo industrial. Ao mesmo tempo,
o conceito de lixo envolve uma dificuldade do meio para absorver e processar os resíduos. O CO2, por exemplo, em quantidades abaixo de certo limite não é considerado um resíduo, mas um subproduto da respiração ou da atividade industrial. Ele não é um resíduo que a natureza seja incapaz de reciclar, porém, existe um momento a partir do qual o mesmo está em grandes quantidades, de modo que passa a impactar o meio.
PET – Quais os principais impactos que o lixo pode causar ao meio ambiente?
Carlos Martínez - Depende do lixo. Existem muitos tipos de resíduos diferentes (desde metais pesados, materiais tóxicos e não tóxicos) que causam os mais diferentes tipos de impactos, tais como efeitos tóxicos, alterações sistêmicas, poluição auditiva, visual, entre outras.
PET – Você sabe qual o destino dos resíduos sólidos produzidos na UFMA?
Carlos Martínez - Não. Acho que os resíduos sólidos seguem o mesmo processo que os de qualquer lugar da cidade.
PET – Você acha que há uma preocupação com o descarte dos resíduos sólidos aqui na Biologia?
Carlos Martínez - Não. Mas, podemos buscar maneiras de diminuir a produção desses resíduos, por exemplo, reduzindo o consumo, reciclando e reutilizando plásticos, papéis, metais,
vidros, entre outros.
PET- É sabido que a redução do uso de descartáveis está relacionada à consciência e hábitos de cada indivíduo. Você acha que aqui na Biologia essa atitude tem sido colocada em prática?
Carlos Martínez - Não podemos generalizar, porém, existe uma grande necessidade de melhorias. Seria interessante que cada pessoa fizesse sua parte em relação a vários assuntos.
Uma das formas seria que cada um andasse com seu copo ou caneca. É de fundamental importância que, por exemplo, o PET também contribuísse nessa iniciativa oferecendo copos de
vidros ou retornáveis durante os Happy Hours ou qualquer outro evento organizado.
PET - Como o Departamento de Biologia poderia ajudar a conscientizar os alunos sobre a
reutilização/reaproveitamento do lixo?
Carlos Martínez - Como ponto de partida, seria necessário que existisse um processo de discussão interna no Departamento a fim de discutir se existe um posicionamento sobre esta ou outras questões ambientais, e, a partir disso, verificar como o mesmo poderia atuar no processo de conscientização. Mas, vale lembrar que os alunos também são importantes no que diz respeito à tomada de iniciativa para mudar a situação local. Um bom exemplo disso é o Projeto Biopreserva, que surgiu a partir da iniciativa de um grupo de alunos do segundo período do nosso curso que foram me procurar a fim de orientá-los.
PET – Quais os principais objetivos, de que maneira vocês pretendem trabalhar, e qual o âmbito de abrangência do projeto Biopreserva?
Fabíola Sousa - O principal objetivo do Biopreserva é promover a sustentabilidade e educação ambiental inicialmente na UFMA, e, posteriormente em outros locais. Pretendemos trabalhar a consciência ambiental dos alunos, servidores e professores, propondo seminários, palestras, mesas redondas e oficinas. O estopim do projeto baseou-se no uso exarcebado de copos plásticos no Restaurante Universitário (RU). O âmbito de abrangência do projeto é primeiramente o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), lugar onde as pessoas têm uma maior consciência ecológica, facilitando o início do trabalho, e, posteriormente em toda a UFMA. Pretendemos ainda fazer pequenas correções em pequenos projetos que temos em toda São Luís,
como um projeto para a conscientização das pessoas sobre o lixo na orla marítima, um sobre a compostagem no RU, além de outros. Os participantes desse projeto não são apenas os alunos do segundo período, mas também os do primeiro, além de todos os outros alunos que se interessarem. Estamos abertos a discussões e a propostas!